Numa era em que a nostalgia tomou conta do espírito de muitos jogadores, inúmeras experiências de outrora são revividas nas mais recentes plataformas. Com maiores ou menores motivações, remakes ou simples adaptações, a panóplia de produções que atingiram a eShop da Nintendo Switch nestes últimos meses tem crescido consideravelmente. Dentro desta moda, a Microids lançou Flashback, uma proposta retro que pretende comemorar o 25º aniversário do conhecido clássico dos videojogos.

É preciso recuar até ao ano de 1991, quando a Delphine Software (entretanto extinta) lançou Another World, jogo inovador que rapidamente se tornou popular graças ao seu estilo visual minimalista e à sua jogabilidade que combina acção simples com secções de acção furtiva e sequências cinemáticas. Esse sucesso abriu caminho a Flashback, lançado em 1993 para a Super Nintendo, Mega Drive e muitas outras plataformas relevantes. Foi essencialmente um projecto de ficção científica mais ambicioso mas que manteve algumas das premissas do antecessor.

Flashback conta a história do jovem cientista Conrad B. Hart. Em 2142 e após fugir de uma nave espacial mas desprovido de qualquer memória, o protagonista acorda em Titã, uma lua colonizada de Saturno. Os seus inimigos e sequestradores estão no seu encalço e Conrad tem de encontrar uma forma de regressar à Terra, defendendo-se dos perigos que encontra pelo caminho e desmascarando uma conspiração extraterrestre que ameaça o planeta. A história é contada em sequências cinematográficas, algo raro num jogo 16-bit.

As influências de Prince of Persia são visíveis e o controlo de Conrad deve ser gerido de forma precisa. Isso é ainda mais premente pelo facto de Flashbackter sido um dos primeiros jogos a usar tecnologia de captura de movimentos para proporcionar animações mais realistas. O realismo dos movimentos é a palavra de ordem e por isso torna-se crucial a execução de saltos com precisão milimétrica e o ataque aos inimigos de forma cuidadosa e planeada. O jogo não perdoa e qualquer falha leva a uma morte certa, mesmo em dificuldades mais acessíveis. Felizmente existem pontos de salvaguarda para minimizar os problemas.

Embora sendo predominantemente um jogo de aventura e plataformas, encontram-se pequenos puzzles pelo caminho. Pisar sensores, pressionar interruptores ou procurar e inserir chaves pode abrir portas e activar ou desactivar plataformas que permitem avançar nas diferentes fases do jogo. Jogabilidade muito “old school”, até algo críptica e exigente, que mantém os jogadores ocupados por meia-dúzia de horas de acção.

A versão da Nintendo Switch conta com dois modos de jogo. O primeiro pretende simular a experiência próxima do original, sem qualquer tipo de novidades. O outro modo introduz alguns refinamentos: por um lado oferece tutoriais, filtros gráficos, som e música totalmente remasterizados e uma nova função “Rewind”, que varia consoante o nível de dificuldade. De qualquer das formas, o visual nos dois modos é decalcado do original, mantendo até o formato 4:3. Infelizmente foram incluídos poucos extras.

Conclusão

Flahsback é um pedaço de história e esta versão é uma boa homenagem a um clássico de ficção científica. Pode-se afirmar que é a versão definitiva e ideal para fãs sedentos de nostalgia. Com uma atmosfera envolvente mas com uma jogabilidade algo críptica e exigente que pode afastar jogadores mais habituados à modernidade.

 

Nota 8/10

Positivo
  • Ideal para nostálgicos.
  • Algumas novidades interessantes.
  • Jogabilidade exigente que exige perícia.

Negativo
  • Pode ser demasiado “old school” para alguns.
  • Poucos extras.