The Last of Us: Parte 2 era um dos jogos mais aguardados do ano mas finalmente essa espera terminou. Eu tinha bastante curiosidade por saber qual o caminho que Ellie e Joel levaram após terem fugido aos Pirilampos.

É certo que o Joel não contou a Ellie o que realmente se passou no laboratório mas a Ellie também não ficou satisfeita com a resposta que Joel lhe deu.

E é precisamente neste ponto que o jogo arranca. Já se passaram alguns anos e Joel e Ellie já se encontram inseridos numa outra comunidade. Dentro desta comunidade ambos têm as suas tarefas e vivem uma vida aparentemente normal, dentro da possibilidade.

História…

No que toca a história, esta decorre cerca de 5 anos após os acontecimentos do primeiro título. As coisas ficaram muito mal resolvidas e as explicações que Joel deu a Ellie não a satisfizeram, acabando por haver um certo afastamento por parte das personagens. Apesar do afastamento o sentimento entre as duas personagens não se rompe pois passaram por muito juntos. Ellie conheceu outras personagens e criou laços com elas, o que é muito bom para uma jovem. 

Ellie tem uma vida aparentemente normal, tem a sua própria casa dentro de uma comunidade organizada onde cada um tem a sua responsabilidade. No caso da Elie, ela é responsável pelas patrulhas em redor da vila de forma a eliminar infetados e avistar potenciais ameaças que possam acabar com a paz da vila.

O jogo avança com um novo inimigo, um grupo de nome WLF que veio para fazer estragos. Estes WLF encontram o acampamento onde Joel e eles estão e causam alguns estragos irreparáveis. Não vou dizer o que acontece pois não quero de forma alguma estragar o gameplay de muitos de vocês, mas um dos principais estragos faz com toda a história do jogo ganha um novo sentido.

Ellie é uma jovem que procura a sua própria identidade e tenta perceber quem ela é no mundo. mas neste momento a raiva e a vingança guiam o seu caminho e por vezes esses sentimentos levam-nos a locais nos quais não vamos gostar de estar.

Eu diria que este jogo nos leva para lá de um mundo pós-apocalíptico não interessa somente a nossa sobrevivência e a de quem nos rodeia. É preciso repor a justiça que à muito partiu e que faz com que humanos não tenham qualquer empatia ou sentimento pelos outros.

Os infectados são os mesmos de outrora, e esses pelo menos já sabemos como lidar, o nosso maior problema começa a ser lidar com outros humanos fora da nossa comunidade.

Como em tudo há pessoas boas e más, mas dentro de nós próprios todos conseguimos ser bons e maus quando é necessário. A história de The Last of Us: Parte 2 está recheada de conflitos, e posso dizer que muitas vezes os sentimentos por personagens que estão nas forças opostas acabaram por ser muito contraditório. Conseguia odiá-los pelo que faziam mas também conseguia entender o porquê. Algo que normalmente só cabe em corações de seres humanos mas que estas personagens nos conseguem transmitir como se de outro ser humano se tratasse.

Gráficos e Som…

A nível gráfico a Naughty Dog não desiludiu nada, pelo contrário eles vem provar que esta geração de consola ainda tem muito para dar.

É incrível ver os detalhes de tudo o que nos rodeia, desde o ambiente às personagens passando pelas armas e até mesmo animais presentes no jogo.

Algo que fiquei bastante impressionado foi as sequências de animação cada vez que atacamos com uma arma de contacto físico. Cada uma das armas de contacto físico tem a sua própria animação, acredito que tenha dado trabalho mas no final o resultado é impressionante. Algo que também achei impressionante são as placagens que algumas personagens jogáveis fazem, atiram o inimigo no ar e rebentam-lhe com a cabeça, simplesmente brutal.

A nível sonoro o jogo está irrepreensível, eu diria que tudo foi pensado ao detalhe. Existe uma trilha sonora para cada momento do jogo e sentimos o jogo de uma forma diferente por causa das trilhas sonoras e respetivos efeitos sonoros.

 

Jogabilidade…

Eu diria que The Last of Us: Parte 2 é um grande upgrade ao título original, o nível de exploração é enorme e as forma alternativas como abordamos cada um dos nossos inimigos, sejam eles humanos ou não, pode ser impressionante.

A exploração dos cenários pode ser bem recompensadora, podemos encontrar munições e itens para criação e até mesmo armas diferentes que nos permitem uma abordagem diferente nas mais variadas situações. Temos ainda itens que nos permitem fazer upgrade às armas e habilidades da personagem.

O jogo para além de todos os inimigos e caminhos tumultuosos ainda conta com vários quebra-cabeças que por vezes nos obrigam a encontrar um item para conseguir resolver outro. Um desses exemplos é quando temos de encontrar um código que nos vai ajudar a abrir um cofre.

A Naughty Dog conseguiu um nível de realismo bem elevado tanto a nível visual como a nível da relação das personagens umas com as outras. 

Existem novas introduções aos nossos inimigos, e não me refiro as novas personagens dos nossos inimigos humanos, refiro-me a introdução de cães que vão ser bem difíceis de enganar e que nos podem facilmente detectar e alertar os restantes inimigos.

Em relação aos infectados, estes também contam com novas adições, mas aquele que chama mais a atenção é um infetado enorme que derruba paredes e faz com que não se esteja seguro em lado algum. Este infetado tem a capacidade de matar a nossa personagem com um só golpe.

Cada vez sou mais apaixonado por jogos de terceira pessoa, este estilo permite que o jogador tenha uma maior perspectiva do que o rodeia, algo que não acontece noutro género. Mas The Last of Us é muito mais do que um jogo de terceira pessoa, ele tem elementos de Stealth que nos obriga a ser cuidadosos e a eliminar os nossos inimigos com um certo cuidado para não sermos detectados. Este jogo conta ainda com uma das minhas paixões, zombies/infetados, adoro e isso faz com que todo o conjunto seja perfeito.

Em relação ao título anterior são poucas as adições, afinal de contas não vale a pena mexer no que funciona muito bem. O jogo sofreu adiamento em relação a primeira data anunciada e ainda bem pois parece que o jogo chega a roçar a perfeição. E se o adiamento foi para poderem dar um maior polimento ao jogo, então só posso dar os parabéns a Naughty Dog pelo excelente trabalho que fez.

Agora falando um pouco da movimentação das personagens. Que posso eu dizer a não ser “perfeito”, este jogo ficou incrivelmente bem feito. Passei horas a apreciar as movimentações das personagens, cavalos e até mesmo os infetados. Fiz vários clipes e vídeos e revi um atrás do outro e fiquei entusiasmado com a precisão das movimentações de cada um dos intervenientes do jogo.

Ainda em relação às armas de contacto físico (machados, bastões, canos de agua, martelos, chaves inglesa e mais) estas têm uma durabilidade, tal como acontecia no primeiro jogo, e quando elas ficam frágeis elas partem-se. É neste momento que as coisas ficam ainda mais emocionantes, assim que a nossa arma de contacto físico quebra podemos partir para a violência física dando valentes murros e derrubando os nossos adversários. Temos a opção de esquivar o que nos dá uma possibilidade de apanharmos menos do que seria o normal, mesmo assim eu consegui apanhar muito.

Para alem do corpo-a-corpo temos ainda as armas de fogo (pistolas, caçadeira, metralhadora, shotgun, lança-chamas e mais), todas as armas de fogo do jogo podem sofrer melhorias para conseguirmos maior capacidade de munição, mais estabilidade ou até maior alcance, para isso só temos de encontrar uma bancada de melhoramento e fazer os respectivos ajustes com os pontos de ajuste que vamos apanhando no decorrer do jogo.

Eu poderia dizer mil e umas coisas boas sobre este jogo, afinal de contas estou mesmo muito entusiasmado, mas este jogo não é só feito de coisas positivas. No que toca a armas e munições eu não esperava encontrar tanta quantidade na dificuldade moderada, estava mais a espera de algo mais escasso e que me fizesse racionar em vez de disparar à toa.

Certos locais do jogo encontravam-se completamente apinhados de munições, por vezes ficava com o inventário cheio e tinha de deixar algumas dessas munições para trás pois já não tinha espaço para poder transportar.

Ainda nos combates, tenho de assumir que os nossos inimigos humanos têm uma inteligência artificial fora de série, eles para além de se saberem movimentar ainda têm uma pontaria incrível. Por vezes dão tiros tão certeiros que a nossa personagem cai no chão desamparada e fica assim mais vulnerável a disparos fatais. Quando somos atingidos por flechas estas ficam presas no corpo da personagem , somos obrigados a procurar um local abrigado para poder remover a flecha.

Em relação aos infectados, todos sabemos que os Clicadores são dos inimigos que mais devemos temer. Eles conseguem matar-nos com um só golpe, e se não nos conseguirmos desviar atempadamente então estamos feitos. Mas existem outros infetados mais avançados que também são bem perigosos apesar de aparecerem menos vezes e em menor quantidade.

Conclusão…

Este jogo está incrivelmente bem pensado e executado, a capacidade que a Naughty Dog tem de nos fazer sentir e sofrer com as personagens do jogo é algo que só uma produtora de grande envergadura conseguiria.

Existem momentos de tensão e de sofrimento puro em que nos revoltamos ou alegramos como se fossemos nós a passar pelas situações do jogo.

A empatia com as personagens é verdadeira, é como se fizéssemos parte de tudo aquilo.

Passaram-se 7 anos após o lançamento do primeiro título, mas parece que não se passou assim tanto tempo.

A Naughty Dog superou-se em tudo o que fez e mostra que tem aprendido muito com todos os projetos em que já esteve.

Considero que o jogo The Last of Us: Parte 2 é uma obra memorável e que é, por agora, o melhor título de 2020.

Eu arriscaria mesmo dizer que é o melhor título desta geração de consolas.

The Last of Us: Parte 2 é um jogo que recomendo vivamente a todos os jogadores.

Nota: 10/10

Positivo…   Negativo…
História impressionante.   Sem modo multiplayer.
Mapas a espera de serem explorados.    
Trilhas sonoras extasiantes.    
Personagens carismáticas.    
Dublagem muito bem feita.    
Mais de 20 horas de jogo.