Eis que finalmente chega ao mercado o grandioso jogo de God of War, e desta vez Kratos não vem sozinho. Levei um pouco mais de tempo a fazer esta review do que costuma ser habitual, mas finalmente terminei e espero que gostem e que possam ter a mesma oportunidade de jogar este título espetacular que reúne o que de melhor existe em todos os jogos de God of War.

Com o passar dos anos, nem todas as séries de videojogos conseguem manter-se no mercado. É muito fácil um jogador cansar-se de um jogo e optar por outros jogos que são mais aliciantes. Mas God of War tem conseguido prender os fãs e sendo um exclusivo da PlayStation tem conseguido que os jogadores se mantenham fieis a esta consola.

God of War mudou um pouco a sua fórmula, de forma a se adaptar aos dias de hoje e essa mudança deve-se ao estúdio Santa Monica que decidiu arriscar e muito bem.

O estúdio poderia ter jogado pelo seguro e mantinha a formula aplicada no jogo anterior, mas o caminho que traçaram para este novo jogo acabou por ser fenomenal.

Os eventos anteriores de Godo f War não foram descartados, pelo contrário, a história de Kratos continua mas agora temos uma nova mitologia, nava arma, novos locais e uma nova jogabilidade. Temos de assumir que para Godo f War renascer, o estúdio Santa Mónica teve de matar a série como nós a conhecíamos.

Até a data, um dos melhores títulos de GOW (God of War), era sem dúvida alguma o GOW3, mas este novo capitulo da saga vem superar o que foi feito nesse título e transforma um jogo que era sobretudo de ação num título de ação/aventura. A minha sincera opinião é que este novo GOW vem com personagens carismáticas e que nos fazem gostar delas e querer saber mais sobre o que se passou com cada uma delas. É um jogo que nos agarra bem fundo na alma.

Não se sabe bem a quantidade de anos que se passaram entre GOW 3 e este novo título, mas podem ter sido dezenas ou até mesmo centenas de anos. Nesta história, Kratos vagueou até uma nova terra a norte após a chacina de todos os deuses do monte olimpo. Ao que parece, Kratos apaixona-se e é pai pela segunda vez.

Desta união nasce Atreus, que não sabe muito sobre a guerra e o que sabe sobre o pai está longe de ser o que mais importa. Nesta jornada de pai e filho, vão existir lições para os dois, e temos um Kratos que já não luta só por lutar e quando o faz é para proteger o seu filho.

Este GOW é uma mudança muito radical, tanto em jogabilidade como na personalidade de Kratos, que ao que parece amadureceu bastante com o passar dos anos. A sua vingança cega e a sua sede de sangue já passaram e no momento ele só quer fazer o que qualquer um de nós quer, ou seja proteger a sua família.

Kratos está mais velho, sábio e bem mais controlado, ele tenta a todo o custo que Atreus não siga o mesmo caminho que ele outrora percorreu.

O desenrolar do jogo é bem mais lento que os jogos anteriores da série, e em certas alturas do jogo nota-se que o estúdio se dedicou muito ao longo dos últimos 5 anos a este incrível jogo.

Está um jogo muito bem pensado e que mais para o meio da história acaba por se tornar um jogo smi-aberto de forma a que o jogador pode explorar um pouco mais e terminar todas as missões secundárias e pedidos de personagens que ficaram para trás.

Podemos dizer que este novo GOW tem também uma vertente RPG, afinal de contas iremos ter de evoluir algumas armas e armaduras das nossas personagens, o que lhes vai dar alguns pontos extra de habilidade.

Para vos ser o mais sincero possível, quando Cory Barloh mencionou mais de 30 horas de jogo, eu assumi que estariam incluídas as missões secundárias. Agora que estou a finalizar o jogo, posso dizer que seguramente joguei mais do que 30 horas de jogo só no modo história, sem grandes missões secundárias.

Não me posso alongar muito sem acabar por falar de algo que possa estragar a vossa experiência de jogo (spoiler), mas se gostas da mitologia nórdica, da personagem Thor, então vais adorar o enredo deste jogo, cheio de reviravoltas emocionantes e imprevistas.

O próprio machado de Kratos faz lembrar muito o martelo de Thor (por curiosidade foram forjados pela mesma pessoa). O machado é a nova e principal arma de Kratos que pode ser evoluído no decorrer do jogo e pode ser melhorado com gemas rúnicas que dão poderes extraordinários ao machado.

O jogo conta com um hub central, pelo menos é assim que eu gosto de lhe chamar. É um dos locais onde iremos mais vezes e onde temos também a oficina central onde iremos evoluir as nossas armas.

É também a partir deste lado da “Serpente do Mundo” que iremos viajar entre reinos ou iremos navegar no nosso barco para qualquer zona do mapa.

 

Historia…

A história do jogo é bem simples, ou pelo menos deveria ser. Kratos e Atreus só têm de levar as cinzas da mãe ao pico mais alto de Midgar, foi o seu último desejo mas que acabou por ter pormenores bem que fariam toda a diferença. Um dos exemplos foi a madeira que ela queria que fosse usada na pira que iria queimar o seu corpo. É desse ponto que tudo inicia e é por causa dessa madeira que o perigo chega até a casa de Atreus. Mas não irei alongar-me mais para não fazer spoiler.

Nesta viagem que Kratos e Atreus têm de fazer para poder largar as cinzas no ponto mais alto de Midgar, vamos ver a relação destas duas personagens crescer, apesar de Kratos ser um durão existem momentos que se percebe nitidamente o afeto que ele tem pelo seu filho.

Fico muito contente por finalmente terem dado a Kratos um lado mais humano dando lhe sentimentos com os quais conseguimos identificar-nos. É certo que como deus da guerra, Kratos continua um ser brutal onde poucos são os que lhe conseguem fazer frente, o que felizmente mantem este titulo fiel a franquia.

 

Jogabilidade...

Apesar de este jogo ter alguns acréscimos inesperados como um machado ou um escudo, temos de concordar que foram excelentes adições ao jogo. O escudo tanto serve de defesa como de ataque, e posso dizer que os ataques com escudo podem ser visualmente incríveis mas têm um poder acima do esperado.

O novo sistema de combate onde temos uma camera muito perto de Kratos é muito interessante, e em conjunto com os elementos RPG que o estúdio Santa Mónica acrescentou eu diria que tornou GOW um jogo muito completo.

Existe uma árvore de habilidades associada a cada tipo de arma e Kratos ainda pode ser equipado com peças de armaduras diferentes com efeitos visuais muito bons mas que lhe dão também novas habilidades e estatísticas .

Quanto mais avançadas forem as armaduras, melhores as estatísticas, e quando chegarmos a um determinado nível iremos ter armaduras que nos deixam aplicar runas diferentes que melhoram muito mais essas estatísticas e os ataques de Kratos e Atreus.

Neste novo GOW, Kratos tem três estilos de luta, e convém explorar bem esses estilos pois cada um deles pode ser o mais indicado para determinados inimigos. Temos um estilo de luta com o machado e as lâminas do caos, um com as mãos livres e escudo e finalizamos o estilo de luta com a “Fúria do Espartano” onde Kratos fica enraivecido e causa muito dano (neste modo a barra de energia vai enchendo lentamente).

Tal como disse em cima, os diferentes tipos de inimigos obrigam a trocar o nosso estilo de combate de forma a poder dar o maior dano possível a cada um dos inimigos. Os inimigos de fogo são mais vulneráveis a ataques de gelo, os de gelo são mais vulneráveis a ataques de fogo. Existem ainda inimigos de gelo que são resistentes ao machado de Kratos, nesse caso teremos de usar os punhos.

Atreus também é uma grande ajuda e podemos controlar o local para onde ele dispara as setas, o que fará com que os inimigos fiquem atordoados ou distraídos por pequenos instantes, o suficiente para poder derrubar os inimigos.

 

Conclusão…

God of War é sem duvida alguma um passo muito importante tanto para a produtora Santa Mónica como para a franquia. Foi possível renovar, e com grande sucesso, a maneira como os jogadores olhavam os para God of War, e podemos dizer que este novo jogo é um grande sucesso e é também um jogo muito grandioso. Um dos pontos que mais me espantou foi a inclusão de elementos como por exemplo RPG, e que funcionaram muito bem,  sem que o jogo tivesse de perder a identidade que criou ao longo dos anos.

Apesar de este God of War ser bem diferente de todos os jogos da franquia, creio que foi isso que o tornou também tão grandioso. A Santa Mónica Studios não teve medo de arriscar e de sair da sua zona de conforto e por esse motivo pode ter entregue aos jogadores um dos jogos do ano.

O resultado final foi uma viagem incrível entre pai e filho, envolvidos na mitologia nórdica e cheia de surpresas inesperadas.

Esta é uma história envolvente que fará os jogadores delirarem e pedirem mais, ninguém pode saber o que pode vir depois desta história incrível…

O final que o jogo nos apresenta depois dos créditos é só mais uma dica do que poderá acontecer num próximo título de God of War.

 

Nota: 10/10

 

Positivo…

Relação pai e filho.

Introdução elementos RPG.

Gráficos grandiosos.

História envolvente.

Trilhas sonoras incríveis.