Eis que finalmente mais um jogo do grandioso Hideo Kojima está nas nossas mãos. Para os mais desatentos, Hideo Kojima é conhecido pela sua criação da franquia de Metal Gear Solid e pela sua grandiosidade, com a excepção de Metal Gear Sólido Survival que já foi feito depois da sua saída da produtora.

Hideo Kojima trabalhou arduamente com toda a equipa da Kojima Productions para trazer este incrível jogo até aos jogadores, que por sinal estão ansiosos por deitar as mãos a este título.

Um dos objetivos de Kojima foi criar um jogo diferente com mecânicas e ideias diferentes das habituais. Ao mesmo tempo não poderia fugir de um estilo de jogo a que já está habituado, afinal de contas ele é bom no que faz.

O jogador pode preparar-se para mais de 50 horas de campanha, são muitas horas e há muito a ser feito e muito a ser jogado.

 

História…

O jogo fala-nos sobre um mundo que foi devastado pela Maré da Morte e que está a deriva num barco sem ninguém no comando.

A nossa personagem é Sam Bridges, interpretado pelo ator Norman Reedus, e ele é um transportador, ele é contratado para missões onde deve transportar artigos de um ponto para o outro e por vezes ainda tem de fazer alguns serviços extra que podem acabar com a vida dele. O jogo tem vários combates contra uma facção inimiga e ainda o terror que os EP´s nos fazem passar e o coração aos pulos para que tudo corra pelo melhor. Mas na grande maioria do tempo iremos entregar encomendas, sejam elas das missões principais e secundárias ou até mesmo encomendas que se encontram perdidas pelo mapa e que vamos querer ajudar a chegar ao seu destino.

Sam terá como objetivo conectar as várias estações  da Bridges para que eles possam voltar a comunicar e assim se possam ajudar e sobreviver. Para isso Sam tem de restabelecer a rede quiral para que as estações possam receber as mais variadas comunicações e hologramas de outras estações.

O mundo está infestado de criaturas espectrais chamadas de EP's e a humanidade está próxima de uma extensão em massa. Cabe a Sam salvar a humanidade pois ele é a sua maior esperança.,

Sam tem Dooms, isso significa que ele tem a capacidade de pressentir os EP's e saber quando está próximo de algum. Mais tarde Sam vai ter acesso a um BB (Bebé Bridges), este BB dá-lhe a capacidade de ver os EP's e assim tentar evitá-los.

Mas os EP's não são o único inimigo do jogo, para além de um grupo conhecido por "mulas" que iremos falar mais a frente, temos o próprio ambiente que por vezes consegue ser implacável.

O jogo conta com muitas missões principais, mas é nas missões secundárias que podemos encontrar algum do material que nos poderá ser muito útil na nossa jornada.

As tarefas secundárias oferecem ao jogador mais equipamentos novos e garantem-nos mais recursos a cada entrega bem sucedida.

A parte interessante é que depois de 50 horas de jogo ainda termos muito para fazer, coleccionáveis para procurar, e uma data de actividades para deixar o jogo a 100%.

A trama do jogo é fantástica, ela é ficção científica e está muito bem construída. Eu diria que a trama do jogo pode muito bem ser uma das melhores desta geração e daria um filme e tanto. Temos desde ficção científica, sobrenatural, bebés com ligação ao mundo dos mortos, mitologia egípcia e muito mais.

Mas no meio disto tudo falta explicar, dentro do que me é possível, o que é o Quiralium…

O Quiralium é uma espécie de anti-matéria que intoxica o mundo e que é do mundo dos mortos que serve para o desenvolvimento tecnológico que é aproveitado pela Bridges.

Falando um pouco da Bridges, esta é uma organização ao qual o Sam se junta e que é uma espécie cde novo governo que pretende juntar novamente a América e conecta-la de leste a oeste através da rede quiral, um meio de transmissão de dados e matéria que usa as Praias (digamos que é o elo físico entre os mortos e os vivos).

O mundo de Death Stranding é complexo, mas tudo faz sentido a partir de certa altura. A pós-vida é algo que já está cientificamente comprovado e quando o mundo foi obliterado no encontro dos multiversos do mundo dos vivos com o mundo dos mortos, então tudo mudou.

Nessa atura os EP´s (Elos Perdidos), tentaram agarrar os vivos e nesse processo podem criar obliterações, explosões de grandes magnitudes. Quem morre sofre necrose em 48 horas se o seu corpo não for incinerado, se um corpo sofrer necrose pode virar um EP ou causar outra obliteração (algo que seria bem pior), assim sendo queremos evitar a morte a todo o custo.

Tudo neste jogo surpreende, o enredo criado por Hideo Kojima é incrível, ter atores de Hollywood do inicio ao fim da história ajuda imenso na imersão e empatia dos jogadores. Atores como Madds Mikelsen, Guillermo Del Toro, Lea Léa Seydoux dão luz a qualquer projecto e é certo que Death Stranding tem muito mais impacto por isso mesmo, pois os jogadores conseguem ter uma empatia gigantesca com caras que já conhecem.

As cutcenes presentes no jogo são lindíssimas e ajudam a colmatar possíveis buracos e a contar uma história incrivelmente complexa. Kodjima aprendeu com projectos passados, como o de Metal Gear Solid V, e desta vez conta mais história através de cenas em vez de áudios. No entanto o jogo continua a ter muitos áudios e textos para ler, mas isso são coisas que iremos ter acesso no decorrer do jogo e iremos ter acesso a esses textos e áudios só para relembrar-mos algo que já nos foi dito mas temos duvidas.

Kojima criou uma história gigantesca e muito interessante, existem bastantes reviravoltas e mistérios que vão deixar o jogador colado ao ecrã desde os primeiros instantes.

 

Tal como todos os jogos, Death Stranding também tem os seus problemas, felizmente os pontos positivos levam a melhor.

Certo que serão poucos os que vão concordar com isto, mas o ritmo a que o jogo se desenrola é lento e isso pode ser um problema para alguns. O primeiro combate só vem cerca de 4 a 5 horas depois de iniciarmos o jogo e mesmo assim não são muito desafiadores estes combates. Posso dizer que mesmo em modo difícil serão poucas alturas as que os jogadores irão passar por apertos. Creio que o mais difícil que este jogo tem é a progressão no terreno, estes podem ser bem difíceis por vezes.

Apesar de este ser um mundo aberto e extenso, ele é um mundo desprovido de vida, certo que este é um jogo sobre a morte e o pós-morte mas seria interessante ter mais diversidade de ambientes (biomas variados) e uns animais que vagueando seria interessante e quebraria certamente a monotonia de certas jornadas. Mas existem animais, mais propriamente aves, pelo menos em duas florestas presentes no mapa, ou seja estão lá somente para enfeitar o cenário mas não deixou de ser agradável.

Mesmo construções são pouquíssimas as que vamos encontrar, e posso dizer que vamos passar situações complicadas nessas zonas.

Gráficos…

Death Stranding é sem duvida alguma um dos jogos mais bonitos que eu vi nesta geração de videojogos. O jogo tem um visual fantástico e em termos gráficos eu poderia que ele já nos mostra o que virá na próxima geração de gráficos de videojogos. Uma chamada de atenção para as expressões faciais das personagens que estão soberbas e para todos os cenários que parecem fotorealistas e por vezes nos dão a ideia que já não estamos num jogo mas sim num vídeo real.

Os personagens do jogo foram sem duvida alguma a base para dar vida ao que Kojima imaginou, e posso dizer que Kojima conseguiu dar detalhes gráficos incríveis a cada um adas personagens do jogo.

Já vi muitos jogos com gráficos incríveis que deram um destaque muito grande a reprodução dos atores a nível gráfico, temos por exemplo Until Dawn, Man of Medal e até mesmo Detroit: Become Human, mas Death Stranding leva isto a outro nível.

Som…

No que toca ao áudio do jogo, fiquei surpreendido com o resultado, as trilhas sonoras do jogo estão incríveis, eu adorei as várias músicas que o jogo vai tendo e que vão acompanhando as nossas jornadas. Também há a possibilidade de acedermos ao menu e colocarmos a rodar uma música do jogo de forma a que as nossas jornadas do ponto A ao ponto B sejam mais prazerosas.

Eu dou um destaque incrível a música “Low Roar – Don’t Be so Serious” pois acompanhou me em varias ocasiões, muitas vezes por opção, e dá um ambiente ao jogo em conjunto com todas as paisagens. ADOREIIIIII.

Um grande destaque para as vozes das personagens originais pois está um trabalho incrivelmente bem feito e que dá ao jogo uma imersão estupenda.

Devo dar também os parabéns a nossa equipa de dublagem para o Português de Portugal pois o trabalho foi muito bem feito e acho que não poderiam ter escolhido melhor ator para fazer a dublagem da personagem Sam Bridges (Pêpê Rapazote).

Fiquei bastante surpreendido com o resultado final e posso garantir que vocês também vão ficar.

Jogabilidade…

A jogabilidade de Deat Stranding está muito boa, começamos pelo mundo do jogo e passamos as mecânicas das personagens e viaturas.

Os ambientes de jogo são gigantescos e estão recheados de desafios como por exemplo escaladas, atravessar rios que podem ter bastante corrente, a chuva do tempo que envelhece tudo em que toca e danifica a nossa carga, o peso que o Sam Bridges consegue carregar que afeta a maneira como a nossa personagem mantem o equilíbrio.

Voltando a parte do peso que carregamos, apesar de este influenciar o equilíbrio da personagem e termos de estar constantemente a passar a carga para o ombro esquerdo ou para o direito de forma a não cairmos a chão com a carga, tudo o que carregamos é importante. Por vezes temos peso de mais nas costas da personagem, mas é sempre ingrato pois para além da carga que temos de transportar ainda temos de pensar nos materiais que podemos vir a precisar para transpor determinados obstáculos. Se não calcularmos bem o que vamos necessitar na nossa viagem podemos demorar muito mais tempo a atingir o objectivo, mas se tivermos demasiado equipamento (que significa mais peso), podemos ter bastantes problemas nas escaladas ou a fugir dos inimigos.

Conforme avançamos no jogo novos materiais vão ser desbloqueados e vão ajudar bastante na progressão do jogo. Um dos maiores exemplos são os exoesqueletos energizados, pequenos reboques de carga que planam, veículos e muito mais.

Apesar de estes extras trazerem mais facilidade em carregar mais coisas eles também têm limitações, os reboques de carga não sobem escadas, os veículos perdem bateria, os terrenos mais atribulados e rochosos invalidam algumas das nossas estratégias e muito mais.

Apesar de parecer que o mundo aberto é para ser explorado eu tenho outra opinião… Eu acho que é mais um dos grande inimigos aliado a chuva temporal e aos territórios de EP´s e acampamentos das “Mulas”.

Por isso mesmo temos de planear muito bem o caminho que vamos fazer antes de cada um dos transportes, é certo que não podemos adivinhar muitas coisas e existem muitos imprevistos (e isso é delicioso), mas um caminho planeado já nos pode dar uma ideia do que teremos de transportar de forma a podermos mais facilmente avançar para o nosso destino final.

Temos também o sistema de combate, este ajuda a quebrar um pouco a rotina das entregas. Os inimigos estão divididos em três secções, as “Mulas”, os EP´s e os BT´s.

Mulas – Antigos entregadores que se perderam e acharam que eram demasiado importantes e agora só querem roubar as cargas e farão de tudo para matar a nossa personagem.

BT´s e EP´s – São entidades sobrenaturais e são os mais perigosos do jogo pois o jogador não os consegue ver e muito menos entender.

O jogo está carregado de armas mas ainda demoram algumas horas até essas armas começarem a aparecer, mas conforma avança mos no jogo esses recursos começam a aparecer mas nota-se que não são o foco do gameplay (algo diferente e inesperado).

Quando estamos em cenas de combate temos várias preocupações, atacar para derrubar o inimigo mas sempre de olho na carga pois não podemos perder nada nem danificar as mesmas. As cargas são muito pesadas e as armas também têm um peso considerável. Mas aquilo de que não iremos poder prescindir serão as bolsas de sangue, este tem um efeito contra as BT´s e EP´s.

Ter cargas demasiado empilhadas acabam com a possibilidade de nos escondermos nas ervas altas, e isso acaba com os nossos ataques mais furtivos. Mas o sistema de stealth está muito bem conseguido e por vezes trás momentos bem tensos. Temos também de ter atenção ao BB, este pode ficar stressado e desligar-se, isso acabará com parte das nossas hipóteses contra os BT´s e EP´s.

Vai haver alturas que o jogador irá perceber que fugir é a melhor hipótese que têm e essa poderá ser a melhor decisão. De qualquer das formas a nossa personagem é imortal, se ele morrer ele será repatriado para o mundo dos vivos. Mas se o jogador morrer para os EP´s então o mundo dos vivos e dos mortos entram em confronto e acontece uma obliteração no mapa. Uma obliteração é uma explosão que abrange uma boa área e isola o local de qualquer tipo de exploração.

Mas muitas lutas dentro do jogo são também necessárias, as lutas contra os Bosses são bastante interessantes e dão uma certa intensidade ao jogo, pena que estas lutas não sejam tão frequentes como gostaria e não existam mais ares dos “Mulas” no mapa.

Este é um título diferente e requer uma certa habituação, tal como quando nos é apresentado um novo género de jogo.

Multiplayer e Co-op…

O jogo conta com um multiplayer bastante inovador, este é um multiplayer cooperativo onde os jogadores se vão entreajudar na entrega de encomendas e nas construções de vários suportes como pontes, estações de recarga das viaturas e muito mais.

Os jogadores podem ir deixando mensagens espalhadas por todo o mundo de forma a avisar outros jogadores do que os espera naquele local, muito bom para que se possa saber que já estamos perto de alguma ameaça. Mas não são só mensagens que podemos deixar para os outros jogadores, também podemos deixar itens, construções e cargas. Os primeiros jogadores a chegarem a determinado local podem vir a ter bastantes problemas em transpor determinadas zonas, mas graças a esses jogadores a vida dos próximos jogadores pode vir a ser mais simples se estes deixarem escadas ou até mesmo cordas para podermos escalar ou descer determinadas áreas.

É possível pedir que outros jogadores façam algumas entregas por nós no caso de estamos demasiado longe para o fazer de imediato, isso faz com que quem faça essa entrega ganhe pontos e assim evolua dentro do mundo de Death Stranding.

Cada entrega que é feita, cada missão secundária completada faz com que Sam evolua os seus atributos e a nossa personagem é recompensada com melhorias significativas.

Eu poderia dizer que Death Stranding é um género completamente novo e que tem muito para dar ao mercado dos videojogos.

 

Conclusão…

Death Stranding é um excelente jogo e que vai marcar esta geração. É um jogo que certamente tem um ou outro ajuste para ser feito mas nada que comprometa a jogabilidade, digamos que é mais um aperfeiçoamento.

Death Stranding é um jogo revolucionário que vem mostrar ao mundo que é possível fazer tanto dentro do mundos dos videojogos, basta abrir os horizontes e tentar ver mais longe.

Este jogo vai dividir bastante as opiniões dos jogadores e isso é bastante compreensível pois não temos todos os mesmos gostos. Death Stranding é um jogo de descobertas e exploração onde o mundo está em constante transformação e que é difícil explicar, muito mais fácil jogar e viver a experiência.

A minha opinião sincera em relação ao jogo é que se o jogador tem realmente curiosidade em relação a este jogo, então mergulha de cabeça e tentar ver o menos possível sobre o jogo de forma a teres a melhor experiência. Acho que o mais importante de tudo é embarcar nesta aventura de mente aberta pois podem muito bem se surpreender.

Perguntarem se o jogo vale a pena é complicado porque este jogo foi criado para ser experienciado, mas na minha opinião pessoal sim, é um jogo bem interessante e que vai ocupar horas e horas do nosso tempo e imaginação. É um jogo inesquécivel que marcará esta geração.

Death Stranding foi-nos gentilmente cedido pela Sony e agradeço de coração a oportunidade.

 

Nota: 9/10

Positivo…   Negativo…
História bem criada.   Condução da mota um pouco instável. 
Multiplayer único com um co-op fenomenal.   Poderia haver mais batalhas contra Bosses. 
Gráficos impressionante.    
Trilhas sonoras.    
Campanha com cerca de 50 horas.