Resident Evil: Operation Raccoon City
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Release: 1.10.2011
Price: € 59.99

Resident Evil: Operation Raccoon City

Genres: SHOOTERS, ACÇÃO Producer: Capcom

 

Nos últimos tempos a Capcom tem vindo a delegar o desenvolvimento de algumas importantes propriedades individuais em estúdios ocidentais, numa tentativa de facilitar a incorporação de novas ideias e sugestões, ao mesmo tempo que liberta os estúdios internos para outras franquias. Assim sucedeu com Dark Void, com Bionic Commando (Grinn), com Devil May Cry (Ninja Theory) e com Dead Rising 2 (Blue Castle Games). Com Resident Evil: Operation Raccoon City a Capcom confia no estúdio da Slant Six Games para um rumo diferente do habitual na série Resident Evil.

O nome do título espelha bem algumas evidências neste percurso depois de Resident Evil 5. Por um lado há um interesse em voltar às origens, ao incidente com a Umbrella Corporations na cidade de Raccoon, numa perspetiva que segue de perto a atuação das forças policiais a partir do momento que o vírus se espalha pela cidade. As personagens mais conhecidas da série que ficaram ligadas a este princípio de fogo estão lá e farão parte do argumento, embora desta vez e por contraponto ao desenvolvimento dos jogos mais antigos, este Resident Evil esteja mais perto de uma vertente de ação, sendo que a aposta nos combates na terceira pessoa, recorrendo a operacionais dotados de diferentes qualidades e vocações, seja um dos aspetos que acabará por rotular o jogo.

Não pensem por isso que estamos aqui perante um RE de feição mais tradicional. Este enxerto foge desse clima e passo curto, abrindo aqui uma válvula de escape ao clima de "survival" em detrimento de fornadas de ação. Ainda que estejam previstos confrontos com criaturas horrendas e algumas delas impressionantes, o poder bélico dos militares destacados para as áreas infetadas é levado à letra e isso implica que o recurso à ação seja tido como primordial e um elemento chave na construção do jogo. A Slant Six Games tem já um assinalável historial com assinatura na série Socom, com dois jogos editados para a PSP e um outro para a PS3.

Ao passar para a série RE abre-se um desafio e todo o aliciante que é poder trabalhar num universo consagrado e de forte pendor mediático. Se isso pode traduzir um acréscimo de responsabilidades, o facto de fugir ao trilho mais tradicional, deixa margem para evoluir e tentar algo mais inovador e diferente do que já vimos na série, conciliando aqui o interesse de muitos jogadores que não estão tão propensos para o registo explanado nos jogos mais tradicionais, já que nesse âmbito a Capcom prefere que seja o seu quartel general a ditar o comando da série.

Com a demonstração programada para a recente E3, lançamo-nos à descoberta de Operation Raccoon City, ainda que limitados no tempo de utilização, já que existe um tempo máximo para cada mapa.

O espaço temporal do jogo decorre em 1998, quando o vírus se espalhou pela cidade e contagiou a população. Mas desta vez, ao invés de acompanhar as forças de intervenção BSAA, o jogador está do lado das forças de segurança da Umbrella, competindo-lhe a destruição de todas as provas que impliquem a corporação e ainda eliminar todos os sobreviventes que escaparam à propagação do vírus T. Todavia, o naco forte para o qual irão apontar baterias é mesmo carne infestada e aqui os zombies multiplicam-se e atuam em grande grupo se algum elemento das forças de segurança for mordido e espalhar sangue à sua volta.

Ao escolher os acontecimentos que estiveram na origem da série os produtores conseguiram criar um jogo que não oferece grandes constrangimentos por quem não completou os jogos anteriores. Pelo contrário, ficará até com uma ideia mais clara sobre o que esteve na base da propagação do vírus. No terreno a ideia é manter firme a aliança entre quatro membros das forças de segurança, membros esses que podem corresponder a diversos elementos, dependendo das características como agilidade, capacidade para confronto na primeira pessoa. Há um conjunto de características afetas a cada categoria de soldado que farão toda a diferença na forma como irão reagir contra as hordas de zombies.

 

O favorecimento do co-op é uma das principais funções deste jogo, ainda que possa ser selecionada uma progressão individual, na qual os três operacionais suplementares são controlados pelo computador. Contudo, através da ligação à rede, está previsto que quatro jogadores possam comandar o destino das operações atuando conjuntamente não só contra a ameaça dos zombies mas também contra uma outra fação que tomará parte do enredo a US Spec Ops, cuja missão é combater as forças de segurança da Umbrella, ou seja, o jogador. Aliás, o reforço da componente on-line está ainda inscrito numa série de modos de jogo que irão estreitar o confronto entre as forças em presença, quer pelos grupos de intervenção, quer pelos zombies. Mas para já ainda pouco se sabe sobre isso.

Certo e seguro é que o ritmo e pulsar da ação no terreno é bem diferente do que aquilo que tem vindo a ser materializado na série. Claramente mais orientado para agradar aos amantes dos "shooters" na terceira pessoa, cada soldado age de forma desenvolta no terreno, abrindo fogo sobre as ameaças sem qualquer limitação de movimentos. A atuação é feroz; desde granadas a metralhadoras de assalto, munições não faltam e alguns resquícios da tradição da série podem ser encontrados nas latas de spray que permitem restabelecer os indicadores de saúde.

O ambiente é escuro, fechado e opressivo. As ruas estão infestadas de criaturas infetadas, diletantes e agressivas, destroços acumulam-se, há pirilampos ligados nos carros de intervenção e sente-se uma atmosfera particularmente agressiva a clamar por uma boa dose de intervenção. Nota-se que apesar do desvio na construção da série, os produtores estão empenhados em materializar muitos dos elementos que integram o imaginário e a latitude da série. Descarregar chumbo nas criaturas horrendas para abrir caminho é uma preocupação necessária, embora a atuação possa assumir diversas finalidades consoante a personagem escolhida.

Há quatro categorias de personagens. O "Beltway" é o mais encorpado do grupo e aquele que lida melhor com explosivos. Bem mais forte e resistente que os restantes, derruba hordas de adversários com mais facilidade, mas no momento da fuga as pernas encorpadas travam-lhe a progressão. Vector é uma espécie de ninja, muito ágil e rápido, consegue escapar das ameaças com grande margem de sucesso. Como operador de comandos e dotado de uma especial capacidade para observar para lá das paredes, Spectre é uma personagem com os olhos postos no terreno. Por fim, "Bertha" é o elemento médico do grupo, prestando assistência e primeiros socorros nas situações limite.

Cada personagem detém várias habilidades e a sua capacidade de combate será reforçada à medida que progride no jogo e fica sujeita a melhorias. Do mesmo modo o armamento será reforçado e toca as diversas categorias como metralhadoras, espingardas e caçadeiras. No terreno as forças governamentais complicam a tarefa e as duas ameaças (zombies e tropas de elite US) são uma constante, implicando uma atuação mais estratégica de modo a eliminar primeiro os operacionais colocados no telhado quando se pretende abrir caminho ao longo de uma estrada onde zombies se acomodam e comem os restos de algum sobrevivente.

De resto a mudança de rumo neste Operation Raccoon City passa também pela possibilidade de as personagens se esconderem em pontos seguros, usando fogo de resposta e lançando granadas para reduzir a pedaços de carne um punhado de criaturas. Mas é impossível pensar-se que se matam todos os zombies numa área. Eles chegam constantemente e invadem o percurso, sendo imperativo passar ao ponto seguinte mesmo que alguns tenham ficado para trás. Em alternativa, alguns zombies podem ser usados como escudos, protegendo o corpo da nossa personagem. Importante é manter sempre a distância, impedindo as mordidelas que são o primeiro ponto para derramarem sangue e chamarem pela atenção de todos que estejam pelas redondezas.

Não pudemos ver por enquanto muitos mapas, de qualquer modo existe um interesse da produtora bem definido em reconstruir um ambiente de caos provocado pela propagação do vírus. Ao recuperar os acontecimentos que estiveram na origem da série, a Slant Six Games procura estabelecer uma definição mais sua, sem menosprezar elementos que tiveram assento na série. A ação desenvolve-se a bom ritmo e a co-operação entre estes quatro elementos será essencial para ganhar às diferentes fações presentes. A presença de personagens protagonistas de outros episódios da série entra num conflito com a ausência de profundidade dos novos operacionais, à partida meras tropas de segurança, mas a possibilidade de provocar situações que possam levar a alterações de acontecimentos é só por si mais um aliciante neste "spin off". Para a Slant Six Games este jogo é mais do que um desafio, significa a hipótese de libertar RE das correntes mais tradicionais e propor uma vocação claramente orientada para o combate, servindo de abertura para o próximo desenvolvimento da série.

 

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