Resident Evil é uma franquia que já anda cá há muitos e anos, tendo direito a uma panóplia de títulos e spin-offs. À medida que foram sendo lançados novos títulos, a série foi-se reinventando e evoluindo, o que fez com que se gerasse uma revolta por parte dos puristas da série.
Numa altura em que Resident Evil 6 ainda estava distante, a Capcom anunciou outro spin-offda série, cuja produção se encontra a cargo da Slaint Six Games, os responsáveis peloSOCOM Confrontation. A premissa é muito simples: mostrar os acontecimentos entre oResident Evil 2 e Resident Evil 3 do ponto de vista das várias facções presentes no jogo.
Felizmente, e numa altura que estava um pouco reticente acerca deste Resident Evil: Operation Raccoon City, a Capcom enviou-nos a versão para antevisão, onde tive a oportunidade de jogar bastante o jogo, por forma a poder dar-vos o meu parecer.
A verdade é que desde os primeiros detalhes de Resident Evil: Operation Raccoon City que este demonstrou sempre um enorme potencial. E depois de o ter jogado, fiquei com a sensação que será um Resident Evil “diferente” mas muito longe de ser mau.
Este é, sem dúvida alguma, um Resident Evil moderno, uma vez que o estilo de jogo é claramente virado para o shooter. Podem esquecer aquela jogabilidade clássica dos primeirosResident Evil, embora isso não signifique que o terror seja inexistente. Em Resident Evil: Operation Raccon City o terror e o medo são impostos de outra forma. Não é tanto a maneira do explorar e esperar que aconteça alguma coisa mas sim, o facto de sabermos que existem milhares de zombies à nossa volta e um simples barulho pode dar início a um combate infernal – sim, porque os zombies estão espalhados pela cidade e foram-lhes atribuídos sentidos: eles ouvem, são sensíveis à luz e sentem o cheiro do sangue. Para além disto, e para terem uma noção, em Resident Evil: Operation Raccon City é possível ficar infectado por um zombie e morrer, ou então termos de matar um companheiro de equipa antes que ele se transforme em e nos ataque.
A Slaint Six Games introduziu os ingredientes necessários para dar-vos uma sensação de claustrofobia espectacular, visto que existem imensos elementos no cenário que não podemos controlar. Por exemplo, basta imaginarem uma hipotética situação onde as várias facções presentes do jogo se encontram e começam a batalhar entre si e, de repente, aparece umB.O.W. com uma comitiva de zombies. É neste preciso momento que vocês terão de tomar decisões que podem ou não custar-vos a vida – podem fugir, aliar-se temporariamente aos vossos inimigos, matar os vossos inimigos ou mandar uma granada de feromonas para que os zombies e os B.O.W não os larguem. É simplesmente fantástico sentirmos esta liberdade toda dentro do jogo.
Mas Resident Evil: Raccoon City está cheio de conteúdo para os fãs da série, graças a uma cidade fielmente reproduzida, localizações muito familiares para quem jogou Resident Evil 2 e 3 e, ainda, documentos que vos elucidarão um pouco mais sobre o que estão ali a fazer, para além do modo campanha estar cheio de momentos que se cruzam com os eventos dos jogos supracitados.
O cenário, e o jogo de um modo geral, apesar de ser uma versão de antevisão, já se encontra razoavelmente detalhado, com o destaque a incidir para os jogos de luzes. Entrar num beco escuro, apontar com a alterna da nossa arma e ver a luz a bater em cheio na cara dos zombies, é uma realidade neste jogo, fazendo com que o ambiente seja um dos melhores aspectos deResident Evil: Raccoon.
Tratando-se de um jogo cujo conceito é a imprevisibilidade dos eventos, é simplesmente bom observar que a Slaint Six Games preparou vários ingredientes que, certamente, irão prender os jogadores. Mesmo quando morrem e decidem continuar o modo estória desde o últimocheckpoint, a produtora criou um algoritmo que confere ao jogo a capacidade de se tornar aleatório, quero com isto dizer que quando iniciarem o jogo, os eventos acontecerão de maneira diferente e se num determinado sitio não existiam zombies, na segunda passagem isso pode mudar… drasticamente.
Este tipo de situações prometem oferecer várias dezenas de horas de diversão, e se pensarmos que o jogo está recheado de modos multijogador que retiram mecânicas do modo estória, então bem podem contar com entretenimento garantido até ao lançamento do Resident Evil 6. Será também nesses modos que terão oportunidade de rever personagens icónicas da franquia, mas isso será algo que falarei mais aprofundadamente na análise.
Apesar de ainda faltar algum tempo para a chegada de Resident Evil: Operation Raccoon City, este já conseguiu deixar uma marca bastante positiva, mostrando a sua capacidade para evoluir para um shooter ao mesmo tempo que mantêm aquela mística que envolve os jogos do Biohazard (como é conhecido no Japão).





