Brink
Editor rating
7.0
User rate
8.7
Global vote
7.8
Vote you too:
N/A
Release: 13.5.2011
Price: € 50.00

Brink

Genres: ACÇÃO Producer: Bethesda
Pro
  • Oferece uma experiência decente no que toca ao multijogador.
  • Mecânica intuitiva e viciante.
  • Sistema S.M.A.R.T. oferece velocidade ao jogo.
Con
  • Brink fica abaixo das espectativas.
  • Apresentação pouco trabalhada.
  • Falta de variedade nas missões leva à repetição.

 


Os first-person shooters são o género mais procurado desta nova geração de consolas, e mesmo com muitos jogadores a queixarem-se de que o mercado está a ficar saturado, o que é certo é que o género continua a vender como gasolina em bomba com promoção.
Em certa parte eu até concordo de que o mercado está saturado mas isso tem a haver com a falta de inovação por parte das produtoras.
É certo que existem títulos do género que oferecem experiências de elevada qualidade, e cada um deles tem a sua temática e história, mas no fundo, são muito idênticas em quase todos os aspectos, não há nada que os torne únicos, algo que os torne completamente diferentes dos restantes.
Brink aparenta ser diferente dos outros jogos do género.
A Splash Damage não quis fazer mais um first-person shooters militar em que o início é bastante promissor mas que quando vamos a ver é mais do mesmo mas com um molho de coisa nenhuma.
Brink conta a história de uma cidade futurista e auto-sustentável chamada "The Ark".
O plano inicial para esta cidade era ter 5.000 habitantes, porém, acabou por ter 50.000. Isto causou uma escassez nos recursos na cidade e como resultado, foi dividida em duas partes, uma ocupada pelos líderes e outra ocupada por um grupo de rebeldes chamado "The Resistance".
Ficamos conscientes desta história através de um vídeo de apresentação que causa um grande impacto.
Brink não é um jogo focado no single-player, e por isso não deve ser jogado a solo, isto se quiserem aproveitar o jogo ao máximo.
As missões da campanha foram feitas para serem aproveitadas em conjunto com outros jogadores.
A campanha de Brink foge ao que estamos habituados, pois transmite sempre a sensação que estamos a meio de um jogo multijogador devido à incorporação de elementos que normalmente apenas estão presentes nesta componente, como por exemplo um quadro de pontuações, e quando morremos o jogo continua a decorrer e reiniciámos na nossa base.
Antes de avançarmos para a acção, temos que escolher uma das facções que dominam a cidade.
Esta decisão vai afectar as missões que terão de completar ao longo da campanha que ao todo são oito.
Uma das características de Brink é precisamente esta, garante uma grande liberdade de escolha aos jogadores, nunca dizendo o que temos de fazer e independentemente do que se faça, seremos sempre recompensados através de experiência.
Existe um nível elevado de personalização em Brink, que vai desde as armas que utilizamos em combate até ao nosso visual.
Quando criamos a nossa personagem, as opções são muito limitadas, mas depois as possibilidades vão-se abrindo.
Se escolhermos ser magros, ganhamos mais agilidade e conseguimos alcançar sítios que os outros não conseguem, mas morremos com mais facilidade. Se formos fortes e musculados possuiremos mais vida que o habitual, mas seremos mais lentos.
No meio destes dois está um físico normal que vai buscar características mais equilibradas dos dois anteriores.
Para além disto, temos ainda que escolher uma classe: soldado, engenheiro, médico ou operativo.
Mais uma vez existem vantagens e desvantagens, mas a qualquer momento podem optar por mudar, mesmo a meio de um jogo, graças aos "Command Posts".
Brink está estruturado a pensar nisto, os vários objectivos para completar são específicos para cada classe.
Como soldado poderão ter que proteger alguém ou plantar uma bomba, como engenheiro terão que reparar coisas, como médico terão que ajudar os companheiros de equipa lesionados em combate e como operativo irão hackear terminais.
Dito isto, Brink é então um jogo fortemente concentrado no multijogador e que mistura elementos RPG.
Isto não representa nada de novo no género. Já outros títulos oferecem o que Brink oferece. Talvez não com este nível de personalização e de compromisso, mas a ideia está lá.
A campanha é simplesmente uma desilusão. Com um vídeo de introdução espectacular, é desapontante perceber que as missões não passam de um conjunto de objectivos semelhantes com uma cinemática de 20 segundos a ligar os acontecimentos.
Compreendo que a Splash Damage queria criar uma experiência para interagir outros jogadores, todavia o resultado final é, recorrendo a termos culinários, insosso.
Mesmo a jogabilidade SMART (Smooth Movement Across Random Terrain), uma funcionalidade que permite movimentação como um praticante de parkour, não impressiona.
Já em outros jogos é possível correr pelos corrimões das escadas e saltar para alcançar sítios difíceis.
Brink é apenas um pouco mais fluído a realizar esta tarefa.
E para além disto, esta fluidez apenas é perceptível quando jogamos com o físico magro.

Além da campanha, existe o modo Challenge, um conjunto de quatro desafios diferentes, cada um deles com três níveis de dificuldade.
Tal como o resto do jogo, podem jogar este modo em conjunto com outros jogadores.
Mas para um jogo que se concentra tanto no cooperativo e no multijogador, é uma falha não dar para jogar em splitscreen, uma funcionalidade que seria bem-vinda.
A nível gráfico o jogo não consegue alcançar o que foi prometido.
Não quer isto dizer que os gráficos sejam maus, mas ficou uns furos abaixo daquilo que realmente foi prometido.
Visualmente não é muito nítido e as texturas não possuem a mesma qualidade.
Apesar disto, a nível de apresentação está muito bem conseguido.
Depois de algumas horas de jogo, a sensação que Brink transmite é que poderia ter ido mais além.
Digamos que é mais um jogo que poderia ser bem mais mas não teve tempo suficiente de incubação.
Consegue oferecer uma experiência decente no que toca ao multijogador, mas voltando à problemática inicial dos first-person shooters, será que traz inovação? Digamos que não, é mais um entre os vários que as produtoras têm cuspido nos últimos tempos.
Antes de chegar às nossas mãos, Brink sofreu dois adiamentos, a pergunta é… “Valeu a pena a espera?”, na realidade acho que não mas agora já não há muito a ser feito.
À medida que os anos passam, a fasquia para os videojogos vai aumentando e as produtoras não estão a conseguir acompanhar o ritmo que elas próprias impuseram.
Infelizmente, Brink está abaixo dessa fasquia.

 

 

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