Darkspore
Editor rating
7.0
User rate
6.5
Global vote
6.8
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N/A
Release: 28.4.2011
Price: € 39.00

Darkspore

Genres: ESTRATÉGIA Producer: Maxis
PC
Pro
  • Jogo foi desenhado para o modo cooperativo.
  • Em termos gráficos os níveis são agradáveis.
Con
  • A estrutura das missões é completamente estática.
  • A ausência de história não favorece a experiência singleplayer.


Quando pela primeira vez ouvi que a Maxis estava a tratar de criar um sucessor para Spore a primeira coisa que pensei foi, “Ai vem mais um jogo do mesmo.”. Parece que estava enganado.
Para meu espanto, Darkspore não é o "Spore 2", aliás não tem nada que os possa identificar como sucessor, são bem diferentes.
Do seu predecessor herdou alguma storyline e a personalização de criaturas (um dos melhores aspectos de Spore), e pouco mais se aproveitou.
O jogo parece passar-se vários anos após Spore.
Agora existe uma raça conhecida como os Crogenitors, são um grupo de cientistas e colonizadores dedicados em viajar por toda a galáxia, e em conduzir experiências e alterações no ADN das criaturas que vão encontrando pelo caminho.
No decurso das suas viagens os Crogenitors descobriram o E-ADN (exponential DNA), uma matéria particularmente poderosa mas que viria a provar-se instável, imprevisível e mais tarde incontrolável.
Este novo tipo de ADN permitia aumentar de forma exponencial os atributos dos portadores e assim, foi apenas uma questão de tempo até os Crogenitors decidirem utilizá-lo nos seus próprios soldados através de uma mutação do seu organismo utilizando o E-ADN.
Claro que isto acaba por correr mal, os mutantes desenvolveram inteligência e de forma coordenada quase extinguiram os Crogenitors da galáxia.
Estas novas criaturas geneticamente modificadas, conscientes e auto suficientes ficaram conhecidas como os Darkspore.
A única solução dos poucos Crogenitors que sobreviveram a este apocalipse foi o exílio, escondidos continuam a estudar o E-ADN de forma a reverter a mutação e a criar novas criaturas soldado que possam fazer frente aos Darkspore.
É neste mote que começamos o jogo, como um Crogenitor sobrevivente com algumas criaturas à nossa disposição e a preciosa ajuda de HELIX, a inteligência artificial e base de dados genética que guiará o jogador durante a aventura.
Todos estes eventos são narrados logo no início do jogo através de uma interessante cutscene e logo no final temos acesso ao nosso primeiro herói mutante de nome Blitz saído da "linha de montagem" dos Crogenitors.
Pena que no que à história diz respeito Darkspore não se torna nunca mais interessante do que isto, a AI vai narrando os acontecimentos à medida que avançamos no jogo e faz umas breves introduções dos planetas antes dos níveis, muito pouco para um RPG.
Depois de um pequeno tutorial para familiarizar o jogador com os comandos do jogo, nada particularmente inovador no estilo "point and click", clique no botão esquerdo para mover a personagem para o destino desejado, clique no botão direito para atacar e os hotkeys para as habilidades, temos acesso ao elemento que mais aproxima Darkspore do seu antecessor, a personalização das personagens (editor).
O sistema editor é profundamente inspirado no sistema de criação de criaturas de Spore, para muitos a melhor parte do jogo de simulação da Maxis.
Em Darkspore apesar de não podermos criar um herói de raiz, podemos personalizar a textura básica, as cores, mas a melhor parte vem com a personalização do equipamento que vamos equipando.
É possível fazer um pouco de tudo com as peças, aumentar, diminuir, esticar, rodar, tudo isto em seis espaços (slots) distintos divididos entre weapon, hand, foot, offense, defense e utility (arma, mão, pé, ofensiva, defesa e utilidade).
Claro que o equipamento tem um papel fundamental para aumentar as capacidades e o nível dos nossos heróis, mas a qualidade da sua personalização é irrelevante e absolutamente opcional, ainda assim, estou certo que irá deliciar aqueles que gostam de tornar a sua experiência única personalizando tudo a seu gosto ate ao ínfimo pormenor.
As criaturas à nossa disposição são classificadas por dois aspectos, a sua classe e o seu tipo.
Existem três tipos de classes de heróis, os Sentinel (lento mas poderoso tank), Ravager (rápido lutador melee) e Tempest (mago com habilidades de suporte).
Além destes três arquétipos de classe, os heróis variam entre cinco tipos genéticos: bio (plantas e animais), cyber (robots ou híbridos), plasma (mestres do fogo e relâmpagos), quantum (manipuladores do tempo e espaço) e finalmente os necro (um tipo de mortos vivos que utilizam venenos).
O tipo de criatura do herói determina não só algumas das suas habilidades, mas também a forma como lidamos com os diferentes tipos de inimigos, certos tipos são mais vulneráveis do que outros a um determinado tipo de herói, por exemplo não é aconselhável utilizarmos um herói do mesmo tipo genético que os inimigos que enfrentamos.
Como dissemos anteriormente, escolhemos três heróis para utilizar em cada sessão, no entanto, durante a batalha apenas podemos controlar um herói de cada vez, e com um simples clique podemos trocar entre os três em qualquer altura.
Este aspecto é muito semelhante ao de Pokémon onde escolhemos uma equipa de seis "bichos" e depois podemos trocar entre eles na batalha.
Outra característica de Pokémon que os developers de Darkspore parecem ter adoptado é a mentalidade "vamos coleccioná-los todos", existem muitos heróis genéticos para recrutar e a Maxis conta com que os jogadores procurem por alguns específicos da mesma forma que os amantes de Pokémon o fazem naquele jogo.
A diversidade de escolha da equipa é sem dúvida um ponto forte de Darkspore, e a possibilidade de coleccionar os heróis aliada à personalização destes atribui grande personalidade a este título.
Voltando ao equipamento, existe uma autêntica montanha de recompensas em Darkspore nomeadamente o DNA (unidade monetária do jogo), armas e armaduras.
A raridade das peças de equipamento está dividida nos tradicionais comum, incomum, raro e épico.
A dificuldade do jogo aumenta progressivamente e torna-se não só indispensável maior cuidado com a equipa que escolhemos para cada planeta, mas também a manutenção dos nossos heróis actualizados com equipamento de qualidade.
Existem várias formas de obter recompensas em Darkspore, seja através dos tradicionais "drops" das criaturas, destruindo obelisks espalhados pelos mapas, ou trocando por DNA na loja, no entanto, o sistema de recompensa que mais me surpreendeu pela positiva foi o "cash out system".
No final de cada nível a HELIX atribui uma pontuação sob forma de medalhas de acordo com a nossa prestação no nível (matar todos os monstros do nível ou destruir todos os obelisks por exemplo), aí somos deparados com duas opções.
A primeira opção é entregar as medalhas, voltar à nave e deixar que HELIX nos recompense com uma peça de equipamento por cada planeta completado, cuja probabilidade de ser de qualidade superior varia mediante a nossa pontuação total do conjunto de desafios que terminamos.
Por outro lado a segunda opção consiste em continuar para um novo nível, de dificuldade superior, colocando a nossa recompensa em risco mas aumentando a probabilidade de ser recompensados com uma peça de qualidade em caso de vitória. Se perdermos perdemos tudo, se sairmos vitoriosos a recompensa será correspondentemente maior.
Este aspecto revela uma brilhante utilização da escolha entre jogar pelo seguro e correr um risco, premeia os jogadores mais ousados e promove a continuação do tempo de jogo.
Sou um adepto confesso da utilização de escolhas no design de videojogos, neste caso a Maxis fez um excelente trabalho em introduzir este aspecto incluído no próprio progresso dos níveis, melhor só se a storyline por si só explicasse o motivo para a recompensa ser maior no caso de não voltar à nave.
O modo como a inteligência artificial em Darkspore se comporta teve inspiração em Left 4 Dead.
Tal como no título da Valve o jogo reage de forma dinâmica às acções do jogador, por exemplo, se acabamos de matar um exército de inimigos a IA dá-nos tempo para recuperar o fôlego.
O número e a agressividade dos inimigos também varia mediante o nível e poder dos nossos heróis, ou se estamos sozinhos ou em co-op.
Neste sentido ao longo de todos os seis planetas do jogo nunca iremos defrontar o mesmo grupo de inimigos duas vezes o que traz um aspecto de imprevisibilidade muito bem conseguida.
Por outro lado os cenários apesar de visualmente agradáveis, por vezes com excelentes jogos de cor, são muito iguais e principalmente demasiado lineares.
Todos os níveis consistem em viajar do ponto A para o ponto B matando tudo pelo caminho nos quatro stages até chegar ao Boss.
A Maxis tinha dito que o jogo seria essencialmente para ser jogado cooperativamente e não estava a brincar.
O modo campanha em singleplayer obriga o jogador a um excessivo grind, já que rapidamente se torna muito difícil ultrapassar as missões, ao ponto em que precisamos de repetir os níveis anteriores várias vezes por mais peças de equipamento.
Mesmo a forma como o combate funciona leva a crer que o jogo foi desenhado principalmente para o modo cooperativo, ainda que haja mais inimigos para enfrentar em modo co-op, as missões tornam-se mais fáceis e imensamente mais divertidas.
Saltando para o juízo de valor em forma de resumo final, Darkspore é uma mistura de uma boa utilização de vários aspectos de jogos de sucesso num género diferente, e uma preguiça exagerada na estrutura de jogo.
O gameplay do combate é sólido e variado, em termos gráficos os níveis são agradáveis, as criaturas também têm um aspecto bem conseguido, especialmente tendo em conta o imenso modo de personalização.
No entanto a estrutura das missões é completamente estática, e quase total ausência de história não favorece a experiência singleplayer.
Aconselhado para os fãs de RPGs point and click, especialmente para aqueles que, como eu, não consegue mais esperar por um certo jogo do mesmo género.

 

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