REVIEW – Outriders

REVIEW – Outriders

Abril 11, 2021 Não Por Perplera

Após algumas horas de jogo no modo campanha de Outriders, saio com um misto de ideias que nem sei bem como descrever. 

Já recebi este jogo antes do lançamento, mas infelizmente com tantos problemas de servidores offline e uma jogabilidade um pouco instável tive que aguardar que alguns problemas fossem resolvidos de forma a conseguir fazer a review no seu pleno.

O jogo está repleto de ideias que já vi noutros jogos e que me são bem familiares. E se de um momento para o outro estamos no auge de uma batalha, no momento seguinte estamos num tédio gigante, uma oscilação enorme num curto espaço de tempo.

O jogo teria uma ou outra aresta a ser limada, mas nada que afete diretamente a experiência de jogo e a diversão.

Tal como na grande maioria dos jogos RPG, iniciamos tudo com a customização da nossa personagem. Esta customização é bastante simples, escolhemos entre o sexo masculino ou feminino, temos oito tipos de rostos e não é possível fazer qualquer tipo de costumização como sobrancelhas, face, posição dos olhos ou nariz. Temos ainda algumas cores de olhos, cor de pele e até modelos de cabelo e barba.

 

História…

No início da história temos um texto que nos informa que a terra morreu, que fomos nós que a destruímos. Diz ainda que duas naves de colonização foram construídas para explorar o espaço mas que só restou uma delas. Passados 83 anos estamos na órbita do nosso novo lar, e ao que parece o planeta Enoch é a última esperança da humanidade. A maior parte da história irá ser contada por textos ou por conversas que temos com NPCs, não são as agradáveis cinemáticas que vão fazer isso. Não é que não existam cinemáticas, existem e contam parte da história, mas se nos focarmos somente nas cinemáticas não iremos perceber bem toda a história.

Voltando a história, no início do jogo, após vermos a nave de colonização a sobrevoar o planeta Enoch e são libertadas cápsulas em direção ao planeta, nestas cápsulas estão, robôs, engenheiros, máquinas, veículos e com os chamados Outriders, que são na realidade os batedores que vão explorar o planeta. 

A nossa personagem é um Outriders e ele pressente que isto não vai correr bem. Tem uma altura do jogo, após alguns tutoriais onde iremos encontrar umas sondas que emitem uns sinais, quando encontramos a nossa primeira sonda vai começar uma pequena tempestade que nos vai revelar a posição da segunda sonda, e quando tentamos alcançar o sinal da segunda sonda as viaturas param de funcionar no meio do caminho e o grupo decide seguir a viagem a pé mesmo com a tempestade, mas não me parece uma boa ideia. Logo de seguida alguns dos Outriders são expostos a uma gosma negra e começam a passar mal. A nossa personagem decide seguir o sinal a solo e acaba por se cruzar com uma criatura, criatura essa com que se tinha cruzado instantes antes e parecia inofensiva, mas que agora estava enlouquecida. Quando conseguimos chegar à sonda percebemos que afinal o sinal não vem da sonda mas sim de outro ponto desconhecido, com o agravamento da tempestade temos de nos retirar. Os raios da tempestade vão acertando nos Outriders e estes vão desaparecendo, no final desta tempestade algo acontece, a nossa personagem tem uma visão com uma mulher, algumas criaturas e um lugar, parece ter a ver com o futuro. As viaturas que tinham parado subitamente ficaram a funcionar e conseguimos regressar à base. 

Quando chegamos a base, existe uma certa frustração pois já disseram à nave de colonização para mandar mais cápsulas para Enoch. 

No meio de uma discussão a nossa personagem começa a sentir-se mal e começa a manifestar ter poderes, a personagem Charles (um dos chefes das operações), não está disposto a colocar ninguém em quarentena por não saber com o que podem ter sido infetados e começa por matar Jack (o chefe dos Outriders) e manda matar os restantes.

Tudo isto dá uma reviravolta e voltamos a ter visões com a mulher que vimos anteriormente e acabamos numa câmara criogênica. Somos libertados, pouco mais de 30 anos depois, e somos apanhados no meio de uma guerra de clãs, como bónus a nossa personagem é  trespassada por uma barra de ferro e nessa altura temos de escolher uma de quatro classes (essa classe vai definir os nossos poderes). As classes são as seguintes, Tecnomante, Piromante, Trapaceiro e Devastador, em relação ao ferimento mortal, ele acaba por não nos matar e sara.

A nossa personagem sai a fugir dali e esbarra com Ceff, uma personagem que nos ia matar mas ao perceber que somos um Outrider acaba por se conter. Ceff leva o nosso personagem até a uma cidade ali perto e apresenta-nos à sua líder. Só que esta líder é Shira, uma personagem que já conhecíamos antes da câmara criogênica. 

O jogo começa a valer a partir daqui e não irei falar mais nada para não estragar a experiência dos jogadores.

 

Gráficos e Som…

Os gráficos do jogo são bonitos, mas nota-se desde o início que não são de nova geração, algo que tenho pena pois o jogo até merece.

Em PC e consolas de nova geração temos uma excelente performance, algo bastante agradável, fluido, com raros problemas na renderização e com loadings que raramente fogem dos três a cinco segundos de duração. Claro que quando jogamos em coop o loading demora sempre um pouco mais, mas nada de muito significativo. infelizmente, quando falamos das consolas de anterior geração as coisas já não são bem assim. os loadings já rondam os vinte e cinco segundos e as quebras de frames são normais quando existe muita coisa a acontecer no ecrã de jogo.

Em relação ao som, o jogo está muito bem conseguido e apesar de em Portugal o áudio do jogo ser em Inglês podemos sempre ativar as legendas em Português. Existe sempre a possibilidade de colocar a consola na região do Brasil e colocar o áudio do jogo em PT-BR. 

As trilhas musicais são muito entusiasmantes e fazem os jogadores vibrar durante as cenas de ação. 

 

Jogabilidade…

O jogo é bem interessante e tem vários pontos que chamam a atenção dos jogadores em geral, mas um dos pontos que eu gostei bastante foi o facto de podermos colocar em locais pré-determinados do mapa uma bandeira/estandarte e que vão servir de viagem rápida entre outras bandeiras daquele mapa. Ao lado destas bandeiras irá ter uma caixa de munições onde podemos reabastecer a nossa personagem. 

Eu diria que este jogo não tem nada de original, é uma espécie de retalho de vários jogos. Pude ver que o manuseio de armas está muito parecido com Destiny, em relação aos visuais dos cenários parece muito com Gears of War, mas no geral conseguimos apanhar uma data de situações que já vimos em jogos como The Division, Mass Effect, Borderlands e outros.

Tal como falei anteriormente, podemos escolher entre quatro classes, e elas são Tecnomante, Piromante, Trapaceiro e Devastador, cada uma destas classes é focada no posicionamento em campo, ou seja, curta,média e grande distância. Depois temos três slots para colocarmos as nossas habilidades, conforme vamos subindo de nível no jogo vamos desbloqueando novas habilidades que podemos ir substituindo nos slots disponíveis de forma a estarem mais enquadradas com o nosso estilo de jogo.

O jogo conta ainda com uma árvore de skils onde ganhamos pontos e gastamos nos poderes de anomalia, onde poderemos diminuir o tempo de recarga dos nossos poderes, resistência ou aumentar a percentagem de dano entre outras coisas.

 

Na parte superior esquerda do ecrã temos o radar que nos indica onde estão os inimigos, e quando estamos em vilas ou cidades indica-nos as lojas e missões secundárias. Infelizmente aceder ao mapa não é de fácil acesso e não nos é permitido fazer zoom no mapa. No centro do ecrã temos duas barras, a barra superior indica o nosso nível e a barra inferior indica o grau do mundo, o que significa que quanto mais alto maior a dificuldade. Vou explicar melhor, conforme vamos jogando a barra de grau do mundo vai crescendo e sempre que enche subimos para um novo grau e desbloqueamos novos recursos, armas e coisas cosméticas, como por exemplo itens para personalizar o nosso estandarte. É claro que conforme jogamos num grau de mundo maior as recompensas de armaduras e armas são melhores. O jogo conta com 15 graus de mundo, e quando chegamos ao grau mais alto temos muitos inimigos a correr ao mesmo tempo na nossa direção, algo bem difícil mas bem recompensador.

A nossa personagem conta com três slots de armas e 5 slots para armadura, cada um dos itens tem o seu grau de raridade, todos eles têm níveis e podem oferecer vantagens. É claro que podemos comprar e vender as nossas armas e armaduras e podemos trocar constantemente estes itens, mas vale ressaltar que por vezes se o item for de uma raridade elevada é capaz de compensar mais evoluir esse item.

Os cenários dão a sensação de liberdade mas isso não corresponde à verdade, os cenários têm vários corredores que nos levam a determinados locais e que por vezes nos levam a estradas sem saída. Os corredores por vezes são limitados, algo que nos dificulta a vida quando temos muitos inimigos a atacar a nossa equipa.

 

Quando terminamos o jogo desbloqueamos a expedições e isso é algo que vale muito a pena. São missões únicas em mapas exclusivos com uma mini história a acompanhar. Conforme avançamos nestas expedições temos ondas e ondas de inimigos para derrubar e quando estamos quase no final temos um exército gigantesco a vir na nossa direção, se tivermos sucesso na nossa missão iremos abrir uma cápsula recheada de itens.

Não podia deixar de falar da inteligência artificial dos inimigos, eles são bem espertos, eles escondem-se, recuam, espalham-se e existem uma variedade de inimigos interessante. certo que muitas vezes os inimigos são reaproveitados e acabam por ter só a sua skin alterada.

 

Conclusão…

Outriders tem uma campanha que pode levar entre 13 a 15 horas, mas para quem procura concluir os 100% do jogo esse tempo pode chegar a ser três vezes mais. 

Este jogo foi feito de forma a que o jogador jogue com amigos, e o ideal é que cada um deles jogue com uma classe diferente de forma a se completarem como equipa.

Em relação ao jogo propriamente dito, este saiu com muitos problemas e durante os primeiros três dias foi praticamente impossível jogar este jogo sem sair frustrado. Muitos jogadores simplesmente desinstalaram e foram muitos os que tentaram pedir o reembolso do jogo. Atualmente o jogo está jogável mas não está perfeito, ainda existem alguns pontos a melhorar e alguns erros a resolver. De vez em quando o jogo crasha, algo desagradavel, principalmente quando estamos a meio de um evento importante.

Outriders tem uma história bem interessante, mas é contada maioritariamente em textos do que cinemáticas.

Volto a reforçar que o gameplay é divertido e incrível para jogar com amigos, e se for apreciador do gênero acredito que vai adorar este jogo. Está prestes a sair uma atualização para o jogo que acredito que o vai deixar ainda melhor.

 

Nota 9/10

Positivo
  • Jogabilidade consistente.
  • Classes bastante equilibradas.
  • Loadings curtos nas consolas de nova geração e PC.
Negativo
  • Lançamento com vários problemas.
  • Demasiados loadings.