REVIEW – Ratchet & Clank: Rift Apart

REVIEW – Ratchet & Clank: Rift Apart

Junho 11, 2021 Não Por Perplera

Esperado como o jogo que mostraria o potencial da PS5, Ratchet & Clank: Rift Apart já tinha convencido todos desde suas primeiras aparições em vídeo. A capacidade de se mover instantaneamente através das lacunas dimensionais, ter grande mobilidade, e finalmente, tornar os tiroteios mais dinâmicos deu a esperança de que era um capítulo capaz de fazer a série dar um salto, além disso, a adição de Rivet parecia oferecer variações importantes à fórmula do jogo, com um personagem bem diferenciado de Ratchet e com uma história para contar.

Ou seja, havia uma grande expectativa por Ratchet & Clank: Rift Apart, e podemos dizer que valeu a pena. No entanto, existem algumas escolhas algo polémicas, a par da falta de coragem demonstrada em querer cimentar uma estrada que só se vislumbra em poucas ocasiões, como se a Insomniac tivesse medo de quebrar as correntes com um passado que de facto desacelera as ambições do projeto.

Ratchet & Clank: Rift Apart, a diversão em dobro

Ratchet and Clank Rift Apart imagem do jogoA história de Ratchet & Clank: Rift Apart gira em torno das lacunas dimensionais e das possibilidades infinitas que estão além dos mundos inexplorados. A Insomniac conta como, em algum lugar do universo, existem as contrapartes dos personagens que conhecemos, e apenas aproveitando essas concessões o temível Dr. Nefarious tenta colocar em prática outro plano diabólico para criar estragos entre as galáxias, destroem o cosmos e subjugam o que resta da criação.

Durante a aventura, que leva cerca de quinze horas para ser concluída no primeiro jogo, o jogador irá jogar como Ratchet em alguns planetas e Rivet em outros. Os dois vão se alternando de acordo com os eventos que os envolvem na primeira pessoa, enquanto a história traça o seu arco imperturbável, sem grandes surpresas ou reviravoltas.

Ratchet and Clank Rift Apart imagem do jogoNesta sucessão de aventuras cintilantes, planetas a serem explorados de cima a baixo e combates explosivos, o jogador irá descobrir que Rivet não tem uma habilidade única e é essencialmente apenas uma variante estética de Ratchet. Embora narrativamente a Insomniac tenha encontrado um bom estratagema para justificar esta escolha que cheira a preguiça imperdoável, a profunda diversidade da experiência e os obstáculos que envolvem as duas significam que o artifício astuto logo perde credibilidade, representando para o novo personagem uma oportunidade realmente perdida.

Ratchet & Clank: Rift Apart orgulhosamente mantém os seus tons leves e alegres, e neste sentido os jogadores vão sentir-se à vontade com uma história que claramente visa os mais jovens, mas que sabe dar sorrisos e momentos de reflexão. Até mesmo aos mais velhos.

Além disso, lendo nas entrelinhas e apreendendo os significados de certas frases cortantes, Ratchet & Clank: Rift Apart volta a dispensar algumas críticas ao mundo moderno, entre contradições sociais e distorções que acompanham a vida cotidiana. Deste ponto de vista quase parece ter voltado aos primeiros capítulos, e em geral toda a história sai com uma grande coesão, dando espaço também para podermos desenvolver com os episódios seguintes o que várias vezes é sugerido.

Podes ver o trailer localizado em português aqui.

Recomendamos que jogue o novo título da Insomniac na maior dificuldade.

Ratchet and Clank Rift Apart imagem do jogoA transição entre uma dimensão e outra, mas acima de tudo a possibilidade de ser capaz de deslizar em intervalos temporais sem qualquer carregamento, não é apenas um truque que mostra as capacidades do SSD da PS5. Considerando a forma como foram inseridos no mundo do jogo, a função revela-se dupla: permitem tanto chegar a áreas de outra forma inacessíveis, quanto dar mais alternativas durante as batalhas.

Se no primeiro caso é possível apanhar parafusos de ouro, Spiabots e caixotes de Raritanium, no segundo pode libertar-se das garras dos inimigos ou mudar de zona num instante para manejar as ondas com mais ordem. Não só isso, também existem outros bolsos dimensionais que dão acesso a algumas áreas opcionais onde o jogador pode recolher parafusos e encontrar peças de armadura. Existem três para cada tipo e servem para fornecer habilidades passivas que permanecem ativas para sempre, independentemente da escolha de usá-las ou não.

Rivet não tem habilidades únicas e sempre herda as armas e dispositivos de Ratchet.

Ratchet and Clank Rift Apart imagem do jogoIsso também é perceptível no uso de algumas armas e inimigos reciclados, e até mesmo em algumas situações que para os veteranos da série parecerão muito previsíveis. Outros, por outro lado, são esplêndidos, muito orquestrados e muito bem-sucedidos.

Esteja preparado, no entanto, para a ideia de que Ratchet & Clank: Rift Apart apresenta um nível de dificuldade excessivamente baixo, mesmo quando o jogador seleciona a dificuldade mais desafiante. Esta suavização não nos deixou perplexos, e embora seja compreensível que se trate de uma escolha que visa tornar o jogo acessível a todos, muitos ficarão pouco estimulados pelo índice de dificuldade realmente muito leve, que se recupera um pouco apenas com as arenas.

O problema também depende da progressão das armas que o jogador irá adquirir, o que acaba por ser muito rápido e acaba por equipar Ratchet e Rivet com um arsenal sempre abundante. O jogador sempre terá muitas opções e nunca ficará desprotegido, além disso, o Acidificador Botânico mostra-se uma arma que dá muitas vantagens, pois bloqueia os oponentes no lugar por alguns segundos até que sejam praticamente derrubados por rajadas de balas. O grande número de armas e as possibilidades que podem oferecer durante as batalhas são avassaladoras em comparação com a modesta oposição dos oponentes, todas facilmente legíveis e nunca inclinadas a mudar os seus movimentos e métodos de ataque.

Gráficos, áudio e DualSense

Ratchet and Clank Rift Apart imagem do jogoTal como os exclusivos da Sony, Demon’s Souls e Returnal, já nos ensinaram, Ratchet & Clank: Rift Apart também faz uso magistral do DualSense e do áudio 3D. Através do pad o jogador pode sentir claramente todas as diferenças das armas, que oferecem um feedback diversificado de acordo com as características únicas que cada instrumento de ataque possui, desde as explosões das bombas ao jato fino e contínuo do lazer. E o mesmo acontece ao caminhar em superfícies diferentes. Além disso, cada arma tem dois modos de tiro ou pelo menos um recurso duplo que é ativado pressionando primeiro um dos gatilhos adaptativos até meio, e depois pressionando até ao fundo.

Usando dispositivos como as botas gravitacionais, que têm três velocidades diferentes que podem ser ativadas em sucessão, o jogador pode sentir claramente a resistência diferente dos propulsores, como um pistão de ar que ativa ao mesmo tempo uma série de vibrações que são reproduzidas de forma otimizada por feedback tátil.

Ratchet and Clank Rift Apart imagem do jogoBom trabalho também no áudio e no suporte que os fones de ouvido 3D Pulse podem oferecer, embora este não seja exatamente o típico jogo que exige máxima identificação, ouvindo de forma distinta de onde vêm as naves inimigas, os ataques do oponente, ou simplesmente o som cristalino dos parafusos ou todas as peculiaridades dos sons produzidos dentro das salas, é realmente um grande prazer.

Graficamente Ratchet & Clank: Rift Apart tem uma limpeza visual realmente notável, a ponto de até os personagens clássicos ficarem mais caracterizados e detalhados. O código ainda está um pouco sujo e existem alguns bugs que podem causar alguns tropeços em missões secundárias que não são ativadas prontamente ou que impedem o avanço se algum inimigo andar meio à toa numa área que não é suposto não for morto primeiro.

Alguns soluços também são sentidos ao pular em pontos onde o jogo não prevê que o jogador possa fazê-lo, gerando aquele efeito irritante de suspensão no ar que às vezes não permite que o jogador se liberte para voltar a terra firme. Porém, são apenas pequenos problemas que não afetam a jogabilidade geral do jogo e que já devem desaparecer com o patch do primeiro dia, garantindo aos jogadores mais uma vez uma aventura muito boa que com um pouco mais de coragem poderia ter sido memorável.

Jogabilidade…

Ratchet and Clank Rift Apart imagem do jogoRatchet & Clank: Rift Apart dá um passo à frente em termos de mobilidade do personagem, com o uso de Hovershoes de velocidade ajustável que permite ao jogador deslocar-se a toda velocidade em áreas maiores, juntamente com a esquiva livre que permite que o jogador se lance com maior alcance para plataformas distantes e colinas que à primeira vista parecem inacessíveis. Graças à maior suavidade dos comandos, que acabam por perder uma irritante rigidez do passado, as lutas e os movimentos atingem níveis de fluidez sem precedentes, permitindo-lhe acelerar cada ação com maior naturalidade.

Um nível em particular provou ter uma abertura considerável, semelhante a uma caixa de areia, e é aqui que vimos o verdadeiro futuro da série, à medida que gradualmente começa a libertar-se das restrições de plataforma de anterior geração. Numa menor dimensão, essa amplitude também está presente em algumas seções específicas de outros planetas, demonstrando o fato de que a Insomniac acredita fortemente nesta forma de compreender a evolução das aventuras da dupla dinâmica. Vendo como a fórmula funciona bem tanto do ponto de vista da jogabilidade, quanto no que diz respeito à alta taxa de diversão e liberdade que Ratchet & Clank: Rift Apart nos dá, é realmente uma grande pena que a equipa de desenvolvimento não tenha ido mais longe.

Conclusão…

Ratchet & Clank: Rift Apart mostra claramente qual é o futuro da série, mas o faz apenas em flashes e de forma não convencida, permanecendo firmemente ancorado nas certezas do passado. São várias as oportunidades perdidas, como a falta de diversificação de Rivet ou a não exploração de certas novidades que mal são apresentadas, quase como se quisessem construir uma ponte para o que está por vir. Mas se a configuração de baixa dificuldade não for um impedimento e quiser uma aventura sólida que tenha alguns dos momentos de maior sucesso da série, Ratchet & Clank: Rift Apart não o decepcionará de forma alguma.

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Nota 9/10

Positivo
  • Mostra em que direção a série quer ir…
  • Bons passos à frente na mobilidade e níveis de abertura.
  • Muito mais rápido, mais dinâmico e com alguns novos recursos.
Negativo
  • … mas ele faz isso de forma tímida e sem arriscar.
  • Dificuldade baixa, mesmo no nível máximo.
  • Rivet não tem habilidades únicas e a “justificativa” narrativa não se sustenta.

Um pouco mais sobre o autor…

O Bruno Costa é o editor e supervisor dos conteúdos da Strong Player. É o principal editor que distribui o seu tempo entre criação de notícias, reviews e desenvolvimento de artigos com curiosidades. Gosta de uma variedade de jogos bem extensa mas a sua preferência vai para os jogos de Zombies e para jogos com um modo história envolvente. Adora jogos de ação de mundo aberto com modo multiplayer e o seu preferido é o The Division 2.