Review – UnMetal

Review – UnMetal

Outubro 1, 2021 6 Por Perplera

Unmetal é uma paródia constante, um amontoado alegre de citações, digamos que a nossa personagem faz de tudo para fazer o jogador sorrir. Ele perturba alguns hábitos, mas entretém apenas o suficiente para fazer o jogador continuar numa história bastante longa. Tentamos reunir algumas informações sobre o desenvolvedor, mas descobrimos pouco sobre a Unepic_Fran, exceto que é teoricamente espanhola e talvez trabalhe sozinha.

Imagem UnmetalCertamente, esta desenvolvedora aprecia fazer paródias, isso é visível. Podemos dizer que existe um pouco de Metal Gear, um toque de Hot Shots, alguns grãos de Full Metal Jacket, obviamente Rambo. Eu diria que é uma mistura muito bem conseguida e fortemente inspirada em filmes de guerra. Unmetal recria uma atmosfera militar que toma conta de uma dúzia de níveis, incluindo prisões, esgotos, laboratórios e selvas, tudo com uma ironia saudável.

Existe uma outra característica capaz de atrair os jogadores, estamos a falar da vontade do criador de brincar com tudo, especialmente escolhas que nos pareciam naturais para fins lúdicos mas que na verdade, como às vezes acontece nos filmes, não têm muito sentido.

Por exemplo, encontramos um fato à prova de fogo que não usamos em dois níveis e, portanto, caímos no esquecimento mental. Estamos perante uma secção em que temos de ultrapassar alguns incêndios e a nossa veia de hardcore, no rasto da jogabilidade, faz-nos fazer tudo e mais alguma coisa, menos usar o fato. O jogo intervém com divertidos diálogos, implicitamente chamando-nos de idiotas e lembrando-nos que, em vez de usar o fato à prova de fogo, nos atiramos para as chamas. Existem alturas que vamos mesmo acreditar que somos autênticos idiotas, mas sempre divertidos.

Imagem UnmetalO Unmetal começa como um foguete, atirando umas piadas aqui e ali e situações paradoxais de um protagonista que é piloto de helicóptero. Este helicóptero é abatido por um míssil e a nossa personagem acaba diante de um interrogatório no qual contará a sua história, todos imitando a roupa da Naked Snake. Assim começa um longo flashback de jogabilidade em que o jogador tem que escapar da prisão, descobrir os fundamentos do combate, exploração e inventário, semelhante a um passeio.

O jogo tem um estilo simpático de pixel art e acompanham as aventuras de Jessie Fox, o protagonista que alterna momentos de seriedade com outros de completa idiotice, mantendo um bom equilíbrio e às vezes deixando até que o jogador escolha o que realmente acontece na história.

Unmetal já mistura elementos de furtividade, sobrevivência, ação na primeira hora, levando a mudar de um ecrã para outro e dando ênfase em atordoar os inimigos sem serem descobertos, ganhando experiência e subindo de nível.

Imagem UnmetalO ritmo está lá e é bem interessante, não há tempos particularmente mortos e fazer o save do jogo urinando numa casa de banho pública é sempre engraçado.

Então, o que Unmetal adiciona a uma equação de jogo independente mais ou menos estabelecida?

Certamente são as risadas, tem alguns diálogos realmente brilhantes e a trama que aos poucos vai passando de uma coisa idiota a algo com alguma seriedade, mas não muito. Um jogo que consegue manter a atenção do jogador por um número importante de horas, sem nunca ficarem entediados.

A ambição de cada etapa é limitada, sim, mas é construir uma estrutura compartimentada com objetivos e missões secundárias autônomas, às quais agregar troféus em condições respeitadas. São os bosses, as armas, as cutscenes, os momentos loucos de Hot Shots em que, como o novo Topper Harley, onde encontraremos um lança-chamas contra uma fera que parece um polvo gigante ou uma piranha humanóide filha da Mãe Piranha (uma história bem maluca). 

Um crime não cometido

Imagem UnmetalA narração de Jessie é deliberadamente equilibrada entre mentira e seriedade, amadurecendo de forma admirável que às vezes perturba as certezas do jogador, numa crise entre acreditar nas suas próprias ações ou duvidar da sua real implementação. Graças à stealth matrix que está sempre presente em segundo plano, Unmetal propõe uma sucessão de ideias de jogabilidade que não acrescentam nada, mas quebram o hábito por aqueles poucos minutos e, trivialmente, diferenciam a oferta.

Além disso, Unmetal não é um jogo simples, também não é difícil, mas certamente desafiador e às vezes frustrante. Em alguns casos, perdemos a paciência, talvez o resultado de muitas horas investidas numa única linha,

Imagem UnmetalO exagero narrativo é obrigatório e o assunto de crimes não desvendados são usados até a exaustão, assim como o reaproveitamento de nomes. É como se Unmetal soubesse que pouco custa para fazer sorrir e se dirigir aos jogadores com um entusiasmo crescente, só que o resultado da administração não é enjoativo, pelo contrário, é usado na quantidade certa com habilidade discreta.

Fox é um personagem que poderia viver em completa autonomia dentro do falso estereótipo militar, mas é a nossa projeção de citação que o enriquece apesar de si mesmo. São tantas as referências a obras históricas que é impossível deixar de ocupar o protagonista de tantas almas. Digamos que tem um fluxo de memórias que das obras-primas do passado se torna impetuosa e se derrama em ações e diálogos. Talvez essa tenha sido a habilidade do desenvolvedor, ter criado um tecido funcional no qual cada jogador pode semear os seus próprios momentos, memórias e frases.

Conclusão

Aparentemente envolta numa concha que pode ser facilmente descrita como paródia, a história de Unmetal recolhe ideias, jogabilidade e narrativas que conseguem levar o jogador aos créditos finais sem ficar entediado. Sim, o componente irônico e a loucura subjacente costumam atordoar, mas eles nunca são capazes de se trair demais e conseguem criar uma trama que no final faz todo o sentido.

Haverá momentos de risos, outros um pouco mais pesados, mas o progresso é fluido, nunca incompreensível, limitado por uma produção claramente discreta, mas com uma alma lindíssima. Recomendado para quem procura dez horas de jogo inteligente e despreocupado. Perfeito para portabilidade da switch, certamente menos adequado para jogos de sofá.


IPRoyal Pawns

Nota 8/10

Positivo
  • Simpático, alegre e animado.
  • Jogabilidade variada que flui bem.
  • Paródia que ilumina e diverte.
Negativa
  • Às vezes frustrante.

Um pouco mais sobre o autor…

O Bruno Costa é o editor e supervisor dos conteúdos da Strong Player. É o principal editor que distribui o seu tempo entre criação de notícias, reviews e desenvolvimento de artigos com curiosidades. Gosta de uma variedade de jogos bem extensa mas a sua preferência vai para os jogos de Zombies e para jogos com um modo história envolvente. Adora jogos de ação de mundo aberto com modo multiplayer e o seu preferido é o The Division 2.